quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Grupo de Estudo e Pesquisa - Direitos Humanos DRE Itaquera

Educadores do Município de São Paulo investem na Educação em Direitos Humanos e realizam visita ao Memorial da Resistência de São Pulo.    

Entre os grupos de trabalho e pesquisas promovidos pela DRE Itaquera (Diretoria Regional de Educação) está o GTP dos Direitos Humanos. O grupo organizado pelo professor Eduardo Souza do DIPED (Divisão Pedagógica) é formado por educadores da rede Municipal de educação de São Paulo, interessados em dividir saberes e contribuir para os estudos sobre Educação em Direitos humanos e as questões que o cercam.

Desde 2015 dois GTs se reúnem em turnos de manhã e tarde uma vez por mês, são cerca de quarenta participantes que ocupam as vagas do GTP Educação em Direitos Humanos oferecidas para educadores de CEI, EMEI e EMEF, que conta com a representação de educadores (as) de cada Unidade Escolar da DRE Itaquera.  

Durante os debates, os educadores foram apresentados á materiais diversos, o objetivo era  gerar reflexões e discussões, seja diante do machismo, racismo, discriminação, ou qualquer violação dos direitos humanos. Entre os materiais para estudo foram utilizados livros, vídeos, palestras, além de relatos e troca de experiências dos participantes.  

Entre as propostas de pesquisas realizadas pelo grupo, foi sair da sala do CEFOR (Centro de Formação), a turma orientada pelo professor Eduardo aceitou participar de uma visita guiada ao Memorial da Resistência de São Paulo, que fica no Largo General Osório, 66 - Santa Ifigênia, e é um importante símbolo cultual, histórico e espaço de memória de resistência à ditadura militar.  



 Apresentação da turma, chegada ao Memorial. 
Cela restaurada do DEOPS 

Sobre a Visita 

 O Memorial da Resistência divide espaço com exposições de Arte no prédio da Estação Pinacoteca, e programação do Memorial da Resistência que é dividida em quatro eixos temáticos durante a visita guiada. As visitas das turmas aconteceram em dias diferentes, um grupo realizou no dia 19 de Setembro e a outra 21 de setembro. O primeiro eixo apresentado foi a partir da história do local, “O edifício e suas memórias”, o prédio em si é parte da memória, e trata-se de um armazém da antiga estrada de ferro de Sorocabana, o local foi adaptado para se tornar a delegacia do DEOPS/SP (Departamento Estadual de Ordem Política e Social).  

O segundo eixo é o “Controle, repressão e resistência”, nesta fase as orientadoras do espaço falaram sobre o controle social exercido no período de repressão, e como ele acontecia. O período descrito está entre a data da Proclamação da República, em 1889, ao ano de 2008, e foram apresentados através de relatos e documentos oficiais. 

Acomodados dentro de uma das celas do antigo DEOPS (Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo), o terceiro eixo é “A construção da memória”, a cela restaurada é a tentativa de reproduzir a dimensão e sensação de estar “preso”. As portas e janelas são originais, e sem nenhuma mudança estrutural no tamanho do ambiente, inclusive no banheiro e lavatório. Nesta fase da visita o cotidiano dos prisioneiros é o tema, e as questões giram em torno de como eram acomodados, e como funcionavam as dependências, tempo de estadia, entre outras ações relacionadas, seja burocrática ou não.

Após muitos questionamentos a visita se estendeu por outras celas, em cada uma delas acontece uma apresentação diferente a respeito do tema. As paredes são riscadas e reconstituem pensamentos e a passagem dos prisioneiros que passaram por lá, desde ideais à comportamentos que são retratados por frases e nomes fixados nas paredes.  Em outra, uma instalação faz alusão ao numero de mortos oficiais durante o período da ditadura, as máscaras de papéis grudadas na parede representam uma parte de pessoas mortas, e pessoas desaparecidas. É também exibido um curta metragem com base em noticias de pessoas que passaram pela DEOPS neste período.  

 Da carceragem ao Centro de Referência: Nesta fase a visita ofereceu informações quanto ao uso do banco de dado referencial, destacando-se o Banco de Dados do PROIN – Projeto Integrado de Pesquisa desenvolvido pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo e a Universidade de São Paulo. Documentos que ficam disponíveis a população para consulta de materiais, além de objetos e documentos provenientes de dossiês e prontuários produzidos pelo DEOPS/SP, sob a guarda do Arquivo Público do Estado de São Paulo. Algumas consultas podem ser feitas no próprio Memorial através de imagens, ou documentos em exposição. 




 Cela restaurada do DEOPS 


 Maquete do prédio.
Sala de amostra de filmes e palestras Memorial da Resistência.   
 Antigo corredor de passagem dos presos.





A visita foi finalizada com a apresentação de um documentário sobre o período da ditadura militar, e contextualização atual sobre o espaço diante do conteúdo apresentado, além do movimento politico para que fosse possível a sua criação a partir da Comissão Nacional da Verdade, e o empenho para acertar esta divida social com os brasileiros. 


A visita ao Memorial da Verdade promoveu uma reflexão sobre as violações dos Direitos Humanos pela Ditadura Civil-Militar, suas continuidades no seio da sociedade brasileira e sobre a importância de uma formação humanística, e dos valores democráticos que a sociedade brasileira deve perseguir para consolidá-los e para que “Não se Repita”. #